sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Ter uma amiga que é mãe

Sexta-feira tem sido um dia angustiante. Chego, não sei se como, se durmo, se vou à manicure ou se leio tudo o que gostaria. Sempre acabo dormindo. E há uma certa amiga que, infalível, me liga, troca umas palavras e combinamos uma cerveja; a conversa acaba sempre com um "boa noite" dela pra mim, em plena tarde. Acordo do cochilo com outra ligação dela, saindo do trabalho. Eu sempre gostaria de dormir mais um pouco, mas dispensar uma cerveja com ela faria minha semana perder o sentido. Pense numa pessoa que fala, fala muito. E vai te encantando, te fazendo rir e agradecendo por ter ouvidos. Posso calar e isso é raro. Larissa vem do grego e significa cheia de alegria. Nenhum nome caberia melhor. Ela  quase não dorme e tem muitas histórias. Desde a escola que a gente gosta de pequenas coisas que nos unem em conversas intermináveis. É daquelas pessoas que podem compreender tudo, até o que voce mesma não consegue dizer. Ontem foi mais um dia do nosso ritual. E o dia seguinte é melhor, a vida fica mais leve.
Um dia a Larissa engravidou e eu pude acompanhar tudo o que pode ser chamado de transformação em uma pessoa só. A Larissa mãe tem um todo, hoje, muito melhor do que a Larissa sem filha. Não entrarei no mérito da filha, que só podia ser filha dela mesmo. Gosto muito das pessoas férteis, não só no ventre, mas na vida em geral. Gosto da Larissa porque assim como ela pôde receber no útero algo tão inesperado e assustador pra uma menina, ela pode receber as graças e as dificuldades da vida, ela cuida e faz o parto. Pra mim, ela está sempre grávida de novidades, de mudanças, de aceitação. Fiquei pensando que ela não pode ver tudo o que vejo a respeito dela, é uma pena, mas saber-nos basta, e basta em alto nível.   
set/2009
 

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