sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Onde moram as fadas?


Andando por lugares assim eu só consigo me lembrar do "O Livro Secreto das Fadas". É um livro que ganhei ainda no princípio da adolescência, que toda menina deveria ganhar como ritual de iniciação. Conta de uma menina solitária aprendendo a lidar com as tragédias da vida e usando a fantasia como rescurso de sobrevivência,  ficando amiga das fadas e seres moradores da floresta do seu castelo.
Eu o leio às vezes ainda, pela beleza da própria encadernação e pela necessidade de colocar fantasia nessa nossa vida bandida. É daqueles livros aos que voce se entrega e esquece de julgar entre fantasia e concretude. Não importa o que é o quê, o que mexe comigo é possibilidade do encontro com o desconhecido, que para aquela menina é um resgate da sua alma, um respiro e um distanciamento das condições imutáveis da vida.
Na minha personalidade ariana, cujos julgamentos da realidade passam invariavelmente por tudo o que sinto e, por isso mesmo, nem sempre são imparciais e justos, acredito na fantasia como refúgio de cura. É para lá que as crianças vão quando não podem suportar a realidade e para onde os adultos deveriam ir, sempre, para suportar. A fantasia cura na medida em que subverte ordens, compensa desejos, elabora mágoas e canta as dores da alma. A fantasia dá espaço e amplia o que é demasiadamente pesado na realidade, é onde eu posso, onde sou onipotente.
É um lugar perigoso também, bastante. É um recurso muito primitivo de negação da realidade, um mecanismo de defesa ao desprazer muito muito básico. Porque é muito simples, fácil de usar e não precisa manual. E a linha invisível entre a fantasia saudável e a patológica para mim não é tão simples de enxergar. Acho só que precisamos de mais refúgios, o mundo está concreto demais, está literal e isso adoece.
Quando olho pra esta foto não reparo muito no primeiro plano, apesar de adorar este lugar. Eu me divirto imaginando o que tem depois, onde moram as fadas, o incrível desconhecido onde poderei ser e receber tudo, tudo é possibilidade ali. Andar com fé talvez seja isso, o caminhar na espera do desconhecido, aguardando as surpresas. Logo depois daquela árvore.

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