Faz tempo que não me visito. Tempão que não me agrado, não me abraço e não me desejo o melhor.
E faz tempo que não escrevo aqui. De todos os ítens, o mais fácil.
Andei escrevendo secretamente, como tudo que tenho feito.
E cheguei a fim de publicar um texto sobre pessoas superego, que virá logo, ou não.
Encontrei uma foto guardada aqui do meu ultimo bolo de aniversario e me deu um nó.
E eu lembrei de escrever que tenho pensado muito em jardins. Por sinal, tem um texto lindo do Rubem Alves sobre eles (http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm).
Não há um motivo concreto para eu pensar nisso, ainda mais com a vida que ando tendo, mas é sempre bom respeitar e dar espaço às nossas imagens.
Na verdade, ando querendo estar em um. Estou rodeada deles e todos são de pessoas muito queridas, mas eu queria mesmo um só meu. Que tivesse os meus sentidos, do meu jeito.
Meus sentidos em um jardim jamais seriam iguais aos de qualquer outra pessoa. O jardim nasce de acordo com seu plantador. Nunca me chamaram atenção aqueles de revista, são de plástico, não têm a vida de quem plantou, têm só o senso estético.
Fico me rachando pra entender a simbologia dessa vontade. Vontade muitas vezes é só vontade, sem psicologia. Mas essa eu tenho certeza que tem símbolo.
Fiz associações, que talvez fizessem Freud dormir, mas nem me importo.
Eu sou meio jardim mesmo. Diz minha analista que sou meio Deméter, capaz de fazer a terra fértil e capaz de deixá-la seca, sem vida. Acredito. Porque o ciclo de um jardim pode ser tão angustiante quanto os poderes de Deméter e eu me identifico. O eterno ciclo de vida-morte-vida, gosto muito dele, somos parceiros. Apesar de às vezes eu demorar para sacar em qual parte ele está!
Tenho uma paciente que, sem perguntar, começou a me trazer vasos pequeninos de plantas hidropônicas. Elas não são minhas, são dela, é assim que eu sinto. Essas plantas não morrem, isso me incomoda. Estão sempre lindas. O carinho da paciente comigo é que sustenta essa relação com as tais plantinhas.
Eu quero um jardim onde as plantas morram, mudem, sumam. E o contrário também, tudo junto.
Alguém já viu um livro sobre como começar um jardim, para leigos? Eu vi e quase chorei.
Todo mundo sabe que não tenho a menor vocação para afazeres do lar e o livro de jardins me fez quase acreditar que pra eles também não. Mas acho que deve ser difícil mesmo. Tem que ser assim. Porque se vida não é fácil, com todos os seus ciclos e melindres, por que um jardim seria? E isso me aliviou.
Talvez eu não consiga agora, vou cuidar do interno por enquanto. Talvez o caminho das pedras dos jardins comece por dentro...
E faz tempo que não escrevo aqui. De todos os ítens, o mais fácil.
Andei escrevendo secretamente, como tudo que tenho feito.
E cheguei a fim de publicar um texto sobre pessoas superego, que virá logo, ou não.
Encontrei uma foto guardada aqui do meu ultimo bolo de aniversario e me deu um nó.
E eu lembrei de escrever que tenho pensado muito em jardins. Por sinal, tem um texto lindo do Rubem Alves sobre eles (http://www.rubemalves.com.br/jardim.htm).
Não há um motivo concreto para eu pensar nisso, ainda mais com a vida que ando tendo, mas é sempre bom respeitar e dar espaço às nossas imagens.
Na verdade, ando querendo estar em um. Estou rodeada deles e todos são de pessoas muito queridas, mas eu queria mesmo um só meu. Que tivesse os meus sentidos, do meu jeito.
Meus sentidos em um jardim jamais seriam iguais aos de qualquer outra pessoa. O jardim nasce de acordo com seu plantador. Nunca me chamaram atenção aqueles de revista, são de plástico, não têm a vida de quem plantou, têm só o senso estético.
Fico me rachando pra entender a simbologia dessa vontade. Vontade muitas vezes é só vontade, sem psicologia. Mas essa eu tenho certeza que tem símbolo.
Fiz associações, que talvez fizessem Freud dormir, mas nem me importo.
Eu sou meio jardim mesmo. Diz minha analista que sou meio Deméter, capaz de fazer a terra fértil e capaz de deixá-la seca, sem vida. Acredito. Porque o ciclo de um jardim pode ser tão angustiante quanto os poderes de Deméter e eu me identifico. O eterno ciclo de vida-morte-vida, gosto muito dele, somos parceiros. Apesar de às vezes eu demorar para sacar em qual parte ele está!
Tenho uma paciente que, sem perguntar, começou a me trazer vasos pequeninos de plantas hidropônicas. Elas não são minhas, são dela, é assim que eu sinto. Essas plantas não morrem, isso me incomoda. Estão sempre lindas. O carinho da paciente comigo é que sustenta essa relação com as tais plantinhas.
Eu quero um jardim onde as plantas morram, mudem, sumam. E o contrário também, tudo junto.
Alguém já viu um livro sobre como começar um jardim, para leigos? Eu vi e quase chorei.
Todo mundo sabe que não tenho a menor vocação para afazeres do lar e o livro de jardins me fez quase acreditar que pra eles também não. Mas acho que deve ser difícil mesmo. Tem que ser assim. Porque se vida não é fácil, com todos os seus ciclos e melindres, por que um jardim seria? E isso me aliviou.
Talvez eu não consiga agora, vou cuidar do interno por enquanto. Talvez o caminho das pedras dos jardins comece por dentro...
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