terça-feira, 10 de maio de 2011

Raios e trovões

Fica guardado. Bem quieto. Junta, junta, junta. Faz furo na barriga até explodir. Aí é bom, alivia e abre espaço. Mas nisso já atropelou muita gente. É uma nuvem radioativa, me faz viver cheia de trincas, trancas e inflamações. O processo inflamatório é a dificuldade de dar fluidez. O corpo inflama quando sente uma agressão, mas é um processo indiscrimidado, inflama com qualquer cisquinho.
Mexeu comigo, espero. Mexeu com os meus, devoro. Devoro com o olho e não faço digestão.
Bata na minha cara, me cuspa e humilhe, eu não sinto. Transpire ousadia de maldade perto de um ente, parente, amigo, fo-deu. Eu tenho a ira dos deuses e choro o choro dos antepassados. Eu aguentaria tortura, acho, mas não um objeto de amor sendo injustiçado.
É personalidade e cara de pau. Todo mundo pode mudar, eu não quero. Não neste aspecto. Quero a ira contra os adversários dos meus. Quero o amor bonito que posso dar e receber. A leveza eu não posso querer, não me cabe. Devo ser filha de tigre com leoa, bisneta de foca com touro. O áries trava guerras, o câncer alimenta as mágoas e lambe as feridas. Eu tenho nós e os amarro sempre mais e mais forte. Não é bonito, nem gostoso. Mas é meu e é assim que eu aprendi a viver. Fale e eu me retiro. E quem vê pensa que eu sou essa braveza toda!

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