quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ai, se 'sesse'

Queria escrever pra voce, de voce, quase queria escrever em voce.
Só tenho coragem pra isso, sem descrever muito, sem deixar pistas, voce é esperto.
Eu fico ensaiando te contar uns segredos, sobre o espaço que voce ocupou, e desfaço a fantasia. Como aquela mulher, que tecia de dia e desfazia à noite.
Voce tece uma colcha com a gente, desde o princípio. Homens não tecem colchas, acreditava eu, mas veio voce e fez uma que é um espanto de bonita. Voce me emaranha nela, me enrola toda e fica rindo com esses olhos amadeirados. Eu sei que voce sabe e gosta que seja assim. Eu gosto também, um pouquinho, é quentinho. Mas serei eu a ficar com a colcha e as lembranças quando voce cansar de brincar.
Eu te mostrei uns retalhos, voce me mostrou seu coração descosturado. E briga comigo quando minhas costuras afrouxam. Voce odeia minhas fraquezas. Mas me cuida. E é de um jeito que não me acostumo. É um cuidado de amor. O problema é que eu não conheço todos os tipos de amor pra saber onde encaixar o seu.

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