quinta-feira, 19 de maio de 2011

Cabe, sim!

Dear John,

O Pacífico deve ter uma força sobrenatural. A energia atravessou mesmo o mundo e se instalou aqui, num espaço escondido entre o pulmão e a espinha, furtando sorrisos de mim.
Onze anos e suas contas malucas do que isso significa. Significa tudo o que a gente tentou dizer e não conseguiu, porque nem os protagonistas são capazes de direcionar os afetos no roteiro. E significa muito mais, eu sei...
Tenho a sensação que o passado é um pedaço de gente dentro da gente, de uma gente que já existiu mas que não morreu e que, de vez em quando, volta pra nos dizer que fizemos escolhas certas algum dia.
Eu escolhi voce me fitando uma noite no Saco de São Francisco e fui feliz demais. Acho que te fiz feliz também, porque em todas as minhas lembranças voce está ou sorrindo ou gargalhando. E tudo é silêncio, engraçado isso, um silêncio de quando o mundo está nem aí. Não me lembro da sua voz, quero dizer, lembro, mas muito distante. Lembro mesmo é da boca, há! E dos lugares fantásticos onde voce me levou, que só um apaixonado encontra. Os lugares, na verdade, são comuns, eu é que via beleza em tudo.
Como amor de férias, foi uma aventura mais que bem sucedida. Por que aqui estamos nós, boquiabertos com a a nossa capacidade de nos amar tão longamente afastados. Voce me pergunta se isso cabe, voce duvida que nada tenha mudado no meu modo de amar. John, claro que cabe e claro que muda, mas não muda, entende?
Estamos mais embrutecidos, é verdade, caímos de alguns precipíos desde então e já não acreditamos em tudo tão facilmente. Sinal que amadurecemos. Mas algo daquela pureza grudou nesse pedaço da gente e veio vindo junto. É que a gente se esqueceu de olhar de vez em quando, mas estava lá, guardado pra quando precisássemos mais fortemente.
Eu vinha mesmo pedindo pra lua cheia me trazer uma leveza nos sentimentos, que andam bastante carrancudos, sabe? Aí ela mandou voce, em mais uma manhã gelada em que eu me debatia com essa tristezinha besta. Eu precisava tanto me lembrar disso tudo. Eu devia ter lembrado sozinha, né, mas eu continuo fazendo as coisas de um jeito estranho. Eu me lembrei do quanto voce fazia eu me sentir a menina mais especial do mundo. Eu era uma menina que voce ensinou a ser mulher, eu não podia ter tido mais sorte. Virei um mulherão, voce precisava ver. Não no sentido estético, mas no emocional. Fiquei segura do que eu quero receber. Mas não se fazem mais homens como voce, viu. Lembrar de tudo e redescobrir esse amor maior que a gente, me fez saber que meu destino é viver daquele jeito, o resto é engano meu.
Eu fiquei triste de voce estar triste, apesar da euforia toda de reencontrar voce em mim. A carta é pra fazer voce se lembrar também e ver se te faz tanto bem quanto me fez.
Eu continuo te amando porque voce sempre foi o amigo que eu posso procurar em qualquer hora depois de anos, que eu vou ser recebida com festa. Porque voce deixou uma parte nobre de voce na minha história. Porque voce sempre se preocupou em não me magoar. Porque voce se lembra de tudo com muito mais detalhes que eu e porque eu sou mais inteira quando lembro da gente.
Fico devendo mesmo o abraço, que selaria a paz do nosso passado com um futuro de mais memórias.

Te amo, John, sempre e essa música é pra voce saber que cabe, tá!
http://www.youtube.com/watch?v=QW0i1U4u0KE&feature=player_embedded

Sinta-se afagado,
Lila

2 comentários:

  1. vc eh louca?



    quer me matar, porra!?



    ...




















    nao consigo nem falar qto mais escrever... to buscando o ar pq ta dificil, tentando respirar entre lagrimas e sorrisos, solucos e gargalhadas...

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  2. http://joaonetoadv.blogspot.com/2011/05/vida-feita-mao.html

    eh, cabe sim =D

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