segunda-feira, 3 de outubro de 2011

É isso?

Eis que renasce essa bendita boca formigante a desejar mais, esses meio-sorrisos de pensamentos distantes. E o arrependimento de não ter estado mais inteira, mais eu, mais merecedora de voce.
É isso que acontece quando a gente se encanta?

puff

Tenho andado tão sozinha e tão estranha ultimamente. Dificuldade de diversão, brilho. Já me perguntei se preciso de um psiquiatra, mas existem pílulas para sensação de esvaziamento?
Quando voce quer falar, mas não encontra. Quando sente, mas não tem o suficente pra trasnformar. Quando voce precisa de outra pessoa, mas ninguém pode ajudar. É esvaziamento? Ou será que me perdi de mim mesma?

Como a Bethânia "Eu tenho andado tão sozinha ultimamente, que não vejo em minha na que me dê prazer..."

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Matéria-prima

Em dias assim eu sonho menos. Deixo pra sonhar quando a vida tem mais cor de tédio. Em dias assim não preciso de desculpas. A verdade fica nua e tem uma beleza meio escandalosa, meio histérica. Gosto das verdades, em dias assim.
A verdade que nos tornamos. Quase doce. Doces mesmo são surpresas. São sempre azuis para mim. São pequenos retratos de mim aos olhos do amor.

terça-feira, 28 de junho de 2011

quanto vale ou é por kilo?

Para escorregar basta ter vida. Para chegar naquele limiar da sanidade basta ser um pouco mais fraco que seus desejos. Fraca, sou eu. Covarde estou. Há dias em que acordam-me pedidos dos mais esdrúxulos. Umas vontades de gente maluca a me espreitar na hora do banho. Mas não cedo não. Ainda sou boa na arte de me despistar. Não se deve tentar esconder, esconder-se, conter amor. Amor foi feito pra ser como fumaça de churrasco, empesteando a roupa de quem estiver por perto, defumando as pessoas. Amor foi feito pra viver apesar de. É lírico o amor contido. Mas só é livre aquele que o distribui. Se alguém me nega o amor, me impede as admirações e os cafunés que eu daria, entrego-lhes todos inteiros e melhores para outros. Guardar é para os covardes. Não comprarei megafones, nem espalherei spams por aí anunciando meus sentimentos, mas entregarei a cada um o que lhe cabe. Se quiser levar, leva, é todo seu. Contanto que não fique aqui me pinicando, eu entrego amor por encomenda também.

Sobre aquele que não o quiser, não sabe nada sobre os amores. Amor tem de vários tipos, tem de vários aromas e sabores. Eu gosto dos cítricos. Mas temos também os aguados, aqueles que fluem melhor, sabor de água que mata sede. Acho que temos uma vocação: entregadores de amores.
Entrego aqui todos eles, sem culpa, sem pedaços, sem senãos. Entrego pra ser mais feliz, que peso de amor faz mal demais à saúde. Façamos assim: eu entrego calada e viro as costas (resta ainda um punhado de covardia)  e voce usa como quiser. Não há pacto, só escolhas. O único empecilho são meus olhos, eles não aprenderam a mentir.

sábado, 25 de junho de 2011

Coisas sobre minha infância (que não importam, mas fizeram diferença)

1. Minha mãe cantava isso pra me ninar: http://www.youtube.com/watch?v=gKgEBBUI6U4 e isso: http://www.youtube.com/watch?v=_b9Zj3TXlSo pra me fazer rir. E ela inventava personagens pra falar comigo.


2. Enquanto eu era como todas as meninas e tinha uma pasta de papéis de carta, tinha também uma pasta com fotos, recortes e cartões postais do Egito. Porque aos 5 eu queria ser Arqueóloga.


3. Se alguém me perguntasse o que eu queria ser quando crescesse, dizia "salsicha". Não faço a menor idéia do porquê.


4. Meu avô me levava todos os dias para subir numa árvore torta que tinha na minha rua. Só porque eu adorava subir e ficar sentada lá.


5. Se minha mãe, meu pai ou meus avós fossem me buscar na escola e eu não os visse na hora da saída, eu chorava como se não houvesse amanhã, nem família.


6. Se eu visse um velinho atravessando a rua, eu chorava.


7. Eu não podia ver uma foto minha que começava a chorar e minha avó dizia que era porque eu devia ter nascido gêmea e sentia saudade da irmã.


8. Eu me apaixonei pelo professor de educação física aos 5 anos. Esse amor só acabou aos 7.


9. Aos quatro, eu tinha um namorado que minha mãe chamava de "macarrão da santa casa" de tão branco que era.


10. Quase morri aos seis. Fiquei sem andar por um ano e fui horrivelmente paparicada, ganhando inclusive brinquedos incríveis.


11. Eu morria de vergonha de tudo e ficava amiga fazendo piada.


12. Amava as férias no acampamento. E sempre me apaixonava.


13. Fiz teatro dos 7 aos 12, lá me encontrei e me transformei neste ser cara-de-pau que vos fala.


14. Fiz circo também e era campeã na cama elástica. Um dia estava me apresentando, com toda a família presente, me empolguei no mortal e cai de cabeça na quina da cama, quase chegando ao óbito.


15. Um dia caí da bicicleta em cima de um muro com espinhos e passei dois dias chorando com a minha avó tirando espinho por espinho com uma pinça.


16. Num outro dia, eu corria brincando com a minha cachorra e subi na mesa de jantar de vidro, que escorregou, se quebrou e fincou um vidro gigante na minha perna. Cicatrizes são histórias.


17. Em outro fatídico dia, eu quis dar a volta 360 graus no balanço, mas alguém me chamou quando eu tava lá em cima e eu pulei, dando com a cara no gira-gira e ficando toda estrupiada.


18. Não andava de elevador até os 10. E passava os finais de semana na minha avó, que mora no décimo segundo andar. Se eu apenas sentisse sede ou quisesse um brinquedo, subia de escada, normal.


19. Eu adorava a Beth Carvalho e todo mundo me zuava na escola.


20. Minha bicicleta era uma Cecizinha e eu sofri muito quando a roubaram.


21. As férias em Peruíbe eram mágicas e eu tinha uma casa preferida, ficava horas parada na frente e me imaginava morando lá. Deviam ter muita pena de mim.


22. Meu avô se saiu muito bem quando eu peguei uma revista Veja cuja capa tinha a palavra sexo bem grande, eu perguntei o que era secho e ele disse que era o que fazia a gente ser menino ou menina, o espertinho.


23. Eu gostava de ler romances. Ainda gosto, quanto mais brega mais feliz eu fico.


24. Meu pai gostava de por a gente no carro e ir viajar sem destino. Eu gostava mais ainda.


25. Eu chamava meu pai de Tatu.


26. Eu achava que meus brinquedos saíam pra brincar quando eu dormia.


27. Sim, eu brinquei de médico algumas vezes. Mas gostava mesmo era do frisson do beijo-abraço-aperto de mão.


28. Meu sonho era ter 16 anos. E me lembro de todas as minhas festas de aniversário.


29. Eu usava botas ortopédicas para consertar meus joelhos em X, tinha de várias cores para combinar com os looks.


30. Quando eu queria fazer alguma coisa, eu infernizava os seres humanos resposnsáveis por mim.


31. Eu adorava os parquinhos decadentes da praia e ganhava bolas coloridas gigantes. E meu pai, coitado, botava as bolas e a cachorra no Fiat 147 e subia a serra buzinando pra minha mãe e eu, que acenávamos de dentro do ônibus.


32. Meu pai ia na roda-gigante comigo e se borrava de medo quando eu balançava a cabine.


33. Em uma visita à casa da Conga, aquela mulher que virava macaco, as pessoas saíram gritando e eu fui pisoteada. A sensação foi de morte iminente.


34. Meu avô me levava no mar e me jogava na onda de cima dos ombros dele e dizia: "Olha a espuma de chamapgneee". Eu amava e pedia sempre muito mais.


35. Minha avó fazia batizados para cada boneca nova e a gente fazia bolo para a festa.


36. Meu tio tinha que me levar todo domingo na rua de lazer para andar de motoca. Eu levava a sério.


la la ri rá

Enrolando a gente vai. Cantando a gente distrai. Desviando eu trato de esquecer. E vou conversando com o medo pra ele se acostumar. Que chega uma hora eu guardo medos em gavetas fundas e vou correndo arriscar pra não perder. Coloco o pingente da sorte, reforço o olhar, espirro perfume no ar e entro embaixo. É quando o corpo pede pra dançar.

Vou preferir a música, vou fazer amor em sonho. Janelas floridas me chamam, numa espécie de outra chance. Demoro a mandar embora. Mas se o dia da alma raiar, vou saber que curas são boas só pra quem tem feridas. Ignoro o tempo. Inteireza cansa, vou ali me desfazer em dança.

TEMCOCAÍNAGELADEIRA?

Nunca sei responder quando me perguntam no que eu acredito. Sempre acabo dizendo que acredito na vida, nos seus fluxos e ciclos. E na força da natureza, que essa eu tenho certeza que é sábia. Sábia não quer dizer justa. mas justiça é um conceito demasiado humano. Mas falta. E eu não encontro nada além pra dizer. Falta em mim e incomoda.
Desisti de respostas. E resolvi buscar conforto apenas, refúgio pro espírito, um lugar onde as pessoas rezem, eu me sinta bem e absorva a energia que brota da crença delas, só. Não encontrei e não foi por falta de busca. E olha que não sou exigente. Não quero uma crença, quero só um lugar de acolhimento. Talvez isso seja um sintoma das religiões: as pessoas acabam se preocupando mais com as doutrinas do que com o bem-estar (não gosto desta expressão mas não veio outra).
Eu gosto da força dos rituais. O nosso inconsciente entende o ritual como um portal para a experiência, um aval para vivermos algo com plenitude. Sempre gostei de presenciar os pequenos e grandes, é quase possível ver a paz brotando nas faces.
Me criaram no catolicismo, contra a minha vontade, mas eu respeitei até a adolescencia. Hoje eu até consigo ver suas belezas. Por vontade própria, depois me dediquei ao espiritismo com afinco. Serviu pra muita coisa, mas não preencheu. Mas nada mexeu tanto comigo como um bom batuque. Aquele som bate fundo em mim, qualquer rodinha de gente cantando junto basta pra me emocionar também. Mas a crença em si não me atrai tanto. Gosto mais de conhecer a estrutura e viver o ritual, não me vejo crendo.
Fui a algumas casas de umbanda, por curiosidade. E no fundo, quando estamos passando por momentos de angustia ou sofrimento mais profundo, sempre achamos que a salvação virá de fora. Faz parte da nossa cultura esperar o salvador. Acho que sempre carreguei esse desejo em silencio, sabendo que não existe salvação externa, mas querendo que pra mim acontecesse.
E fui parar numa casa muito agradável, um centro de gente muito estudiosa e finalmente acolhedores. Uma amiga muito querida me apresentou. O ritual estava lindo, era um trabalho para famílias, então cada um deveria se concentrar na sua. Coincidência ou não, era disso que eu estava precisando.
E me mandaram ir lá falar com uma médium pequena, de olhos fortes, incorporada numa bahiana. Eu não soube o que dizer, falei que sentia uma estagnação em geral. Muito simpática, a bahiana me disse: "- Oxe, mas tá parada porque tu parou mermo. E tu não pode parar não, que tu tem muita vida, tu tem muita força. Tu tem um coqueiro cheio de côcos e seus côcos têm muita água, muita carne. Tu pegue teus côcos e vá, se alimente deles, é tudo teu. Onde tu puser a mão querendo fazer girar, então aquilo vai girar, que tua força é poderosa. E, olhe, o passado não muda, foi feito o que precisava, então não esquente assento com ele, olha pra frente e segue seu caminho bonito, que eu vejo um caminho lindo." Eu agradeci, achando engraçado, mas emocionada. Achei a escolha da metáfora bonita. Não posso dizer que acredito naquela cena. Mas essas palavras grudaram na minha cabeça e eu me pego acordando e pensando nos meus côcos.
Se é real ou não, se há algo de outro plano nessa experiência não consigo saber, mas ela me disse algo que fez sentido, que me deu vontade de morder a vida com mais força.
Lembrei, então, de um pedaço de mim cheio de vida, um pedaço que insiste em ter esperança, que chuta as pedras e faz as pontes. E gostei daquela bahiana, gostei do que ela me fez sentir. E foi a gratidão que me preencheu.