terça-feira, 28 de junho de 2011

quanto vale ou é por kilo?

Para escorregar basta ter vida. Para chegar naquele limiar da sanidade basta ser um pouco mais fraco que seus desejos. Fraca, sou eu. Covarde estou. Há dias em que acordam-me pedidos dos mais esdrúxulos. Umas vontades de gente maluca a me espreitar na hora do banho. Mas não cedo não. Ainda sou boa na arte de me despistar. Não se deve tentar esconder, esconder-se, conter amor. Amor foi feito pra ser como fumaça de churrasco, empesteando a roupa de quem estiver por perto, defumando as pessoas. Amor foi feito pra viver apesar de. É lírico o amor contido. Mas só é livre aquele que o distribui. Se alguém me nega o amor, me impede as admirações e os cafunés que eu daria, entrego-lhes todos inteiros e melhores para outros. Guardar é para os covardes. Não comprarei megafones, nem espalherei spams por aí anunciando meus sentimentos, mas entregarei a cada um o que lhe cabe. Se quiser levar, leva, é todo seu. Contanto que não fique aqui me pinicando, eu entrego amor por encomenda também.

Sobre aquele que não o quiser, não sabe nada sobre os amores. Amor tem de vários tipos, tem de vários aromas e sabores. Eu gosto dos cítricos. Mas temos também os aguados, aqueles que fluem melhor, sabor de água que mata sede. Acho que temos uma vocação: entregadores de amores.
Entrego aqui todos eles, sem culpa, sem pedaços, sem senãos. Entrego pra ser mais feliz, que peso de amor faz mal demais à saúde. Façamos assim: eu entrego calada e viro as costas (resta ainda um punhado de covardia)  e voce usa como quiser. Não há pacto, só escolhas. O único empecilho são meus olhos, eles não aprenderam a mentir.

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